Setembro
Há momentos em que cuidar de uma criança significa simplesmente ajudá-la a enxergar melhor. Mas, quando esse cuidado acontece dentro da escola, pode significar também devolver conforto para aprender, segurança para participar e novas possibilidades para descobrir o mundo. Foi com esse olhar que teve início, nesta terça-feira (15), o Projeto Novo Olhar, iniciativa da Prefeitura de Aracruz, por meio das secretarias municipais de Saúde (Semsa) e de Educação (Semed), que leva atendimento oftalmológico aos estudantes da rede municipal.
As primeiras escolas a receberem os atendimentos foram a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Samoel Costa e a Emef Luiza Silvina. Na Samuel Costa, os estudantes foram atendidos pelo médico oftalmologista Daniel Silveira. Já na Luiza Silvina, os atendimentos ficaram sob responsabilidade do médico oftalmologista Jhonatan Rezende.
A iniciativa vai alcançar mais de 3 mil estudantes do 1º ao 5º ano da rede municipal, dentro do público definido pelo projeto. Nos casos em que houver indicação para o uso de óculos, eles também serão ofertados gratuitamente pelo município.
A ação representa um passo importante na integração entre as duas áreas. Mais do que identificar alterações na visão, o projeto busca garantir que uma eventual dificuldade para enxergar não se transforme em uma dificuldade para aprender.
Na escola, onde todos os dias as crianças leem, escrevem, observam o quadro, participam de atividades e constroem relações, enxergar bem faz diferença. E para algumas famílias, esse cuidado chega acompanhado de algo ainda maior: alívio.
É o caso de Lucimar Raider, moradora do bairro Primavera e mãe de Alice Raider Ribeiro, de oito anos, estudante do 3º ano da Emef Samoel Costa. Alice já realiza acompanhamento oftalmológico e possui grau elevado, além de ceratocone, condição que exige acompanhamento e cuidados específicos.
Para Lucimar, ter o atendimento próximo da filha representa uma ajuda concreta para a família. “É uma grande ajuda. Minha filha já faz acompanhamento, tem um grau alto e ainda tem ceratocone. É um custo muito alto e, para mim, está sendo uma grande ajuda. É muito importante ter esse atendimento mais perto, porque a gente sabe que precisa acompanhar direitinho e nem sempre é fácil arcar com todos os custos. Saber que ela está sendo cuidada e que existe esse olhar da Prefeitura para as crianças deixa a gente mais tranquila. É um cuidado que faz diferença para ela e para toda a família.”
Dentro da sala de aula, os reflexos desse cuidado também são percebidos pelos profissionais da Educação. Para Karina Faustini Campana, professora do 2º ano, a saúde visual está diretamente ligada à experiência de aprendizagem. “Quando a criança não enxerga bem, isso pode interferir diretamente na maneira como ela acompanha a aula. Às vezes, ela não consegue copiar o que está no quadro, tem dificuldade para realizar uma atividade ou perde a concentração, e isso pode acabar sendo confundido com falta de interesse. Quando a gente identifica essa necessidade, dialoga com a família, que consegue encaminhar para o cuidado adequado ou contamos com um projeto como esse, estamos também criando melhores condições para que ela aprenda.”
O atendimento oftalmológico realizado nas escolas é uma das etapas do Projeto Novo Olhar. A partir das ações desenvolvidas pela rede municipal, os estudantes que apresentaram necessidade de uma avaliação mais detalhada são encaminhados para o atendimento especializado, seguindo o cronograma estabelecido pelas secretarias.
Para o oftalmologista Jhonatan Rezende, aproximar esse atendimento do ambiente escolar amplia as possibilidades de identificação e cuidado. “Um projeto como o Novo Olhar é muito importante porque muitas alterações visuais podem passar despercebidas. A criança pode não saber que não está enxergando adequadamente, porque ela acredita que aquilo que vê é o normal. Quando conseguimos identificar precocemente uma alteração e orientar a família, estamos contribuindo não apenas para a saúde ocular, mas também para o desenvolvimento e para a qualidade de vida dessa criança. Levar esse atendimento para dentro das escolas facilita o acesso e permite que esse cuidado aconteça no momento certo.”
De acordo com a secretária municipal de Saúde, Rosiane Scarpatt, o projeto traduz uma forma de fazer saúde mais próxima das pessoas. “Quando levamos um serviço como esse para dentro da escola, estamos diminuindo distâncias e criando caminhos para que o cuidado aconteça. Muitas vezes, uma alteração na visão pode parecer pequena, mas pode interferir no aprendizado, na autoestima e até na forma como a criança se relaciona com o mundo. O Novo Olhar é justamente essa percepção de identificar, acolher e cuidar. É Saúde trabalhando junto com a Educação para garantir que nossas crianças tenham as melhores condições para se desenvolver.”
A secretária municipal de Educação, Jenilza Spinassé, destaca que cuidar da aprendizagem também significa olhar para tudo aquilo que pode interferir na trajetória escolar dos estudantes. “A aprendizagem acontece quando a criança tem condições de participar, compreender, experimentar e se desenvolver. Por isso, cuidar da visão também é cuidar da Educação. Uma criança que passa a enxergar melhor pode acompanhar o quadro com mais facilidade, ler, escrever, participar das atividades e ganhar mais autonomia. O Novo Olhar mostra justamente a importância de uma gestão que integra suas áreas e coloca a criança no centro das políticas públicas.”
O início dos atendimentos marca, assim, uma nova etapa de um projeto que nasceu para identificar uma necessidade que muitas vezes permanece silenciosa, pois, nem toda dificuldade aparece em uma consulta médica. Às vezes, ela está no caderno que a criança aproxima demais dos olhos. No esforço para enxergar o que está escrito no quadro. Na dor de cabeça que se repete. Ou naquela atividade que ela deixa de fazer porque não consegue acompanhar.
“Por isso, o Novo Olhar não leva apenas um atendimento oftalmológico para dentro das escolas. Leva atenção, cuidado e a possibilidade de perceber, antes que uma dificuldade se transforme em uma barreira. E, para uma criança, enxergar melhor pode ser também aprender melhor, participar mais, brincar com mais liberdade e descobrir que há muito mais para ver quando alguém decide olhar por ela”, finalizou Rosiane Scapartt.