Setembro
Ao todo, o Espírito Santo possui 194,2 mil mulheres empreendedoras, que representam 32,3% dos empreendedores capixabas e, em sua maioria, conduzem os negócios de forma independente, com 85,6% trabalhando por conta própria, sem empregados, enquanto 50,9% ainda estão na informalidade. Os dados são do levantamento “Retrato do Empreendedorismo Feminino Capixaba”, elaborado pelo DataSebrae, com informações do segundo trimestre de 2026.
O estudo mostra ainda que 56,8% têm entre 30 e 49 anos, 65,4% possuem escolaridade até o nível médio e 71,4% das empreendedoras têm renda de até dois salários mínimos. Mais da metade (51,2%) é chefe de domicílio, o que evidencia a importância dos negócios não apenas para a autonomia financeira dessas mulheres, mas também para o sustento de suas famílias.
Para Lisandra Carneiro, gestora do Sebrae Delas e gestora de Afroempreendedorismo no Sebrae/ES, não é possível separar de maneira rígida o empreendedorismo por necessidade daquele motivado por oportunidade. Segundo ela, as duas situações muitas vezes se encontram na trajetória de quem começa um negócio.
“Muitas mulheres começam a empreender por necessidade e, ao longo do caminho, identificam uma oportunidade real de negócio. Nosso papel no Sebrae Delas é justamente apoiá-las para que essa iniciativa se transforme em um negócio cada vez mais estruturado, sustentável e competitivo”, afirma.
Formalização ainda é um desafio
A informalidade aparece como um dos principais pontos de atenção do retrato, pois dentre as mais de 194 mil empreendedoras, apenas 38,2% já formalizaram o negócio, enquanto 50,9% permanecem na informalidade. As outras 10,9% são produtoras rurais.
Na avaliação de Lisandra, a decisão de formalizar o negócio pode ser atravessada por insegurança e falta de informação. “Muitas ainda associam a formalização a custos elevados, burocracia ou acreditam que o negócio é pequeno demais para esse passo. No Sebrae, trabalhamos para orientar sobre as possibilidades, os benefícios e também as responsabilidades da formalização, sempre respeitando o momento e a realidade de cada empreendedora”, explica.
O perfil também revela que 79,2% das empreendedoras não possuem sócios e, entre as principais atividades desenvolvidas, estão cabeleireiras e outros serviços de beleza, comércio varejista de artigos de vestuário e acessórios, restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas, publicidade, serviços de catering, ensino e serviços domésticos.
Renda e empreendedorismo
A realidade destas mulheres também está inserida em um cenário mais amplo de desigualdade no mercado de trabalho. Segundo o levantamento “Mulheres e o mercado de trabalho do ES”, também produzido pelo DataSebrae a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do segundo trimestre de 2026, as mulheres recebem, em média, R$ 2.953 pelo trabalho principal, enquanto os homens recebem R$ 3.901 — uma diferença de 24,3%.
Os números revelam que o Espírito Santo possui cerca de 1,75 milhão de mulheres em idade de trabalhar, cerca de metade delas participa da força de trabalho, e apenas 194 mil são empreendedoras, o equivalente a aproximadamente 11% das mulheres nessa faixa etária.
Para Lisandra, a diferença de renda pode estar entre os fatores que levam algumas mulheres a buscar no empreendedorismo uma alternativa de autonomia financeira, embora não seja possível atribuir a esse fator uma relação única de causa e efeito. “Diante das limitações de renda e de crescimento no mercado de trabalho, o empreendedorismo pode representar uma possibilidade de autonomia financeira e de construção de novas oportunidades”, destaca.
Empreendedorismo feminino negro
A análise também mostra a dimensão racial do tema, com mulheres negras representando 55,8% das empreendedoras capixabas. Entre elas, a informalidade chega a 57,5%, 90,1% trabalham por conta própria e 76,8% têm renda de até dois salários mínimos. Entre estas, 81,7% não possuem sócios e 73,5% têm escolaridade até o nível médio.
“Os próprios indicadores de renda e informalidade mostram que ainda existem desigualdades que precisam ser enfrentadas. Ao mesmo tempo, estamos falando de mais de 108 mil mulheres negras empreendendo e movimentando a economia capixaba”, afirma Lisandra.
Segundo ela, o Sebrae/ES atua nesse cenário por meio de iniciativas voltadas ao afroempreendedorismo e do Sebrae Delas, dentro de uma estratégia de inclusão produtiva que busca ampliar o acesso à capacitação, às redes, ao crédito e às oportunidades de crescimento.
Apoio para transformar iniciativa em negócio
Em 2026, uma em cada cinco empresas lideradas por mulheres já recebeu atendimento do Sebrae, com demandas variando conforme o estágio de cada empreendimento, mas gestão, acesso a crédito, capacitação, vendas e digitalização aparecem entre os temas mais procurados.
“Ter alcançado uma em cada cinco empresas lideradas por mulheres em 2026 mostra a relevância dessa agenda e, principalmente, aumenta nossa responsabilidade de chegar a ainda mais empreendedoras”, afirma Lisandra Carneiro.
EmpoderaDonas leva debate sobre empreendedorismo feminino adiante
O cenário apresentado pela pesquisa também será tema do EmpoderaDonas 2026, evento do Sebrae/ES voltado ao desenvolvimento do empreendedorismo feminino, que em sua terceira edição, terá abrangência nacional pela primeira vez e reunirá mulheres que empreendem ou desejam empreender em dois dias de conteúdo, negócios, conexões e oportunidades. O evento será realizado nos dias 18 e 19 de novembro, no Centro de Convenções de Vitória, e está com editais abertos para 170 negócios liderados por mulheres.
O EmpoderaDonas atrai mulheres que empreendem ou desejam empreender. Foto: Sebrae/ES |
A programação contará com palcos de conteúdo, feira de negócios, mentorias e espaços para a geração de conexões e oportunidades para empreendedoras. A edição de 2026 também terá ações direcionadas à inclusão produtiva para mulheres negras, mães empreendedoras, mulheres acima de 60 anos, pessoas com deficiência e negócios de territórios periféricos.
Os dados integram análises do Sebrae/ES, da Receita Federal do Brasil e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Trimestral (IBGE), referentes ao segundo trimestre de 2026.