Cultura

João Neiva e Ibiraçu viram filmes de afeto, memória e resistência no Curta Vitória a Minas

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Cidades capixabas ganham destaque na nova edição do projeto cinematográfico que percorre localidades da Estrada de Ferro Vitória a Minas; moradores assumem direção de curtas com apoio de equipe técnica profissional


As câmeras já estão prontas. Os roteiros, finalizados. E os moradores das cidades que margeiam a Estrada de Ferro Vitória a Minas se preparam para viver um sonho: transformar suas próprias histórias em filmes. O projeto Curta Vitória a Minas IV entra agora na fase de gravações, e dois municípios capixabas – João Neiva e Ibiraçu – estão no centro desta edição.

Ao todo, sete curtas-metragens serão produzidos, com filmagens escalonadas entre abril e junho. As obras são resultado de um processo que incluiu aulas teóricas, práticas de cinema e pré-produção, agora complementado por uma equipe técnica profissional formada por diretor de fotografia, técnico de som, produtor(a) e assistente de câmera, que atuarão ao lado dos realizadores locais.


João Neiva em cena: memória e infância no Bairro de Fátima

Uma das histórias mais aguardadas da edição é “Inventário da Infância”, do professor Helder Guastti da Silva, de João Neiva. As filmagens acontecerão entre 29 de maio e 1º de junho, e o curta promete uma abordagem sensível e poética sobre a infância no território do Bairro de Fátima.

“Esses meses de pré-produção foram intensos, de muita emoção e de participação comunitária. A ansiedade para as gravações está bem elevada!”, conta Helder. “Em nosso filme, buscaremos trazer cenas que não esperam dramatizações, mas sim a verdade poética do cotidiano, revelando como crianças e idosos compartilhem gestos, lembranças e afetos das brincadeiras.”

O professor destaca o simbolismo do projeto para sua comunidade: “Nosso maior desejo, para além de realizar um belo registro audiovisual, é mostrar que a cultura do morro existe, persiste e resiste, sempre com muitas cores e afetos entrelaçados!”


Ibiraçu: ficção, história e um zeppelin inesperado

Já em Ibiraçu, o autor Geremias Pignaton prepara as gravações de “Julyta e o Zeppelin”, previstas para o período de 24 a 27 de maio. O curta promete uma narrativa que mistura ficção, memória e imaginação – tendo como pano de fundo a paisagem cultural da cidade.

Os detalhes da trama ainda são mantidos em sigilo, mas o título já desperta curiosidade: a referência ao dirigível (zeppelin) sugere um olhar original sobre o tempo, a história e os sonhos de quem vive às margens da ferrovia.


As outras histórias selecionadas

Além das produções capixabas, o Curta Vitória a Minas IV contempla outras cinco cidades mineiras, com filmagens distribuídas ao longo de maio e junho:

Curta-metragem Autor(a) Cidade (UF) Período de filmagem
“Eu Sou é Eu Mesma” Poliana Araújo Guerra Nova Era (MG) 30/04 a 03/05
“Pedro Além do Alcântara” Miriam Mercedes Firmo João Monlevade (MG) 06 a 09/05
“No Meio de Tudo e do Nada” Maria da Conceição Costa Belo Oriente (MG) 12 a 15/05
“Noite de Natal” Lucia Elena Nunes Belizário Conselheiro Pena (MG) 18 a 21/05
“Julyta e o Zeppelin” Geremias Pignaton Ibiraçu (ES) 24 a 27/05
“Inventário da Infância” Helder Guastti da Silva João Neiva (ES) 29/05 a 01/06
“Águas de 1979” Tânia Reis Aimorés (MG) 04 a 07/06

Foco na estreia em Nova Era

A primeira gravação da edição começou por Nova Era (MG) , de 30 de abril a 3 de maio, com o curta “Eu Sou é Eu Mesma”, da administradora e jornalista Poliana Araújo Guerra. A obra resgata fragmentos da memória da autora, revelando sua jornada de superação após um grave acidente de carro.

“Nos últimos dias acordo pensando: ‘Está chegando!’. Arregalo os olhos e me assusto um bocado diante da missão de assumir papéis inteiramente novos para mim”, revelou Poliana. “As etapas de roteiro e de pré-produção foram muito intensas e ricas. Agora, a expectativa é enorme e, apesar do medo, superpositiva, porque vou ocupar papéis que sempre admirei, mas nunca sequer sonhei em um dia viver.”


Sobre o projeto

Curta Vitória a Minas é patrocinado pela Vale, por meio da Lei Rouanet (Lei Federal de Incentivo à Cultura), com realização do Instituto Marlin AzulMinistério da Cultura e Governo Federal.

O objetivo é justamente dar voz e câmera a moradores de cidades que se desenvolveram ao longo da Estrada de Ferro Vitória a Minas, permitindo que eles registrem memórias, costumes, lendas e peculiaridades de suas localidades, contribuindo para o fortalecimento territorial e comunitário.


Exibição gratuita para as comunidades

Após as etapas de montagem e finalização, todos os curtas serão exibidos em sessões abertas e gratuitas em ruas e praças das cidades participantes. As datas ainda serão divulgadas – e a expectativa é grande para ver a própria história refletida na telona.

Para conhecer as obras produzidas nas duas primeiras edições do projeto, acesse o site oficial:
curtavitoriaaminas.com.br