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Lula e Trump se reúnem na Casa Branca para destravar relações comerciais

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Encontro desta quinta-feira (7) ocorre após adiamento devido a crise no Oriente Médio; pauta inclui tarifas, crime organizado e minerais críticos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reúnem nesta quinta-feira (7/5) na Casa Branca, em Washington, em um encontro que visa normalizar as relações bilaterais após um período de tensões comerciais. A reunião, que começa às 11h15 no horário local (12h15 em Brasília), foi tratada como prioritária por ambos os governos.

Lula desembarcou na noite de quarta-feira (6) na capital americana para o compromisso, que originalmente estava marcado para março, mas precisou ser adiado em razão dos ataques militares realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. A crise no Oriente Médio recolocou a pauta de segurança global no centro das discussões diplomáticas, mas o foco do encontro de hoje será econômico.

Os temas da reunião

De acordo com informações divulgadas pela comitiva brasileira e pela agenda oficial da Casa Branca, os presidentes devem discutir três eixos principais:

  1. Tarifas de importação: O governo Trump impôs novas barreiras a produtos brasileiros nos últimos meses, afetando setores como siderurgia e agronegócio. O Brasil busca uma redução ou renegociação dessas tarifas para ampliar sua competitividade no mercado americano.

  2. Minerais críticos: O Brasil, que possui vastas reservas de nióbio, lítio e terras raras, vê nos EUA um parceiro estratégico para abastecer cadeias produtivas de alta tecnologia, como a indústria de baterias e de defensivos. A cooperação nessa área é vista como um pilar para uma nova fase da relação.

  3. Combate ao crime organizado: A cooperação policial e de inteligência para enfrentar o narcotráfico e as organizações criminosas transnacionais, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), também estará na mesa, especialmente em um momento em que a violência ligada a facções preocupa ambos os países.

Clima de reaproximação

A reunião acontece em um contexto de tentativa de reaproximação. Em sua conta oficial na rede social X (antigo Twitter), Lula publicou na véspera uma foto ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do fotógrafo oficial Ricardo Stuckert dentro do avião presidencial com a legenda: "Embarcando para reunião de trabalho com o presidente Donald Trump nesta quinta, na Casa Branca, em Washington. Desejo um bom trabalho ao companheiro @geraldoalckmin, que assume a presidência até nosso retorno!"

O encontro é o primeiro entre os dois líderes desde a posse de Trump, em janeiro de 2025, e marca uma guinada diplomática após anos de distanciamento ideológico. Analistas apontam que ambos possuem interesses pragmáticos: o Brasil quer ampliar seu comércio e atrair investimentos para a transição energética, enquanto os EUA buscam diversificar suas fontes de minerais estratégicos e conter a influência chinesa na América do Sul.

Expectativas

Após a reunião, os presidentes devem almoçar juntos e fazer uma breve declaração à imprensa, sem coletiva ampliada. A expectativa de especialistas em relações internacionais é que o encontro produza um anúncio de "roadmap" para negociações técnicas ao longo dos próximos meses, mas que não tenha resultados concretos imediatos, como a suspensão total das tarifas.

O presidente Lula tem agora sua agenda cheia em Washington e, antes do retorno ao Brasil, ainda participará de reuniões com empresários americanos e com o secretário de Estado, cujo nome será confirmado pela chancelaria.

Com informações da Agência Estado