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Irã e EUA elevam tensão no Estreito de Ormuz após ameaças e impasse sobre bloqueio

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A crise no Estreito de Ormuz, a rota marítima mais estratégica do mundo para o petróleo, entrou em um novo e perigoso capítulo neste sábado (18). Horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o bloqueio naval aos portos iranianos "permanecerá em pleno vigor", a Guarda Revolucionária do Irã anunciou o retorno do controle rigoroso sobre a passagem, na prática reimpondo um bloqueio que havia sido suspenso.

A medida representa uma rápida escalada e um revés nas tentativas de desescalada. Na sexta-feira (17), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, havia declarado o estreito "completamente aberto" para navios comerciais durante o período restante do cessar-fogo de duas semanas com os EUA, como parte de um acordo que também garantiu uma trégua de 10 dias entre Israel e o Hezbollah no Líbano .

No entanto, a declaração de Trump, feita em sua rede social Truth Social, foi recebida como uma provocação em Teerã. "O bloqueio naval dos EUA permanecerá em pleno vigor até que nossa transação com o Irã esteja 100% completa", escreveu o presidente americano, deixando claro que a trégua, com vencimento na próxima quarta-feira (22), pode não ser prorrogada .

A resposta iraniana foi imediata e dura. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, classificou o bloqueio como uma violação do cessar-fogo. Mais contundente ainda foi o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que afirmou: "Com a continuação do bloqueio, o Estreito de Ormuz não permanecerá aberto" . Ghalibaf acrescentou que o tráfego na região voltará a ocorrer apenas por "rotas designadas" e mediante "autorização iraniana" .

Tensão militar e risco para o petróleo

A troca de ameaças acendeu novamente o sinal de alerta no mercado global de energia. Cerca de um quinto do petróleo mundial trafega pelo Estreito de Ormuz, e seu fechamento, ocorrido no início do conflito em fevereiro, já foi responsável pela maior perda de oferta da história, segundo a Agência Internacional de Energia .

A situação no terreno é de controle iraniano. A empresa de análise de dados Kpler informou que o tráfego na região segue restrito a corredores dependentes da autorização de Teerã. Desde o início do bloqueio dos EUA, na segunda-feira (14), forças americanas já haviam obrigado 21 navios a retornarem, segundo o Comando Central dos EUA.

Ainda há uma pequena janela para a diplomacia. O Paquistão, que mediou o cessar-fogo atual, afirma que um acordo entre as partes está "muito próximo". Diplomatas paquistaneses seguem trabalhando para superar as divergências, e uma segunda rodada de negociações diretas entre EUA e Irã é esperada ainda neste fim de semana . Contudo, Trump já descartou a possibilidade de um pedágio iraniano no estreito e, questionado sobre o futuro, não descartou a retomada dos ataques: "Infelizmente, teremos que começar a lançar bombas novamente" .

Conflito em números

A escalada atual é o desdobramento de quase sete semanas de conflito que já deixou milhares de mortos. Os combates, que envolveram ataques diretos dos EUA e de Israel ao Irã, resultaram em:

  • Pelo menos 3.000 mortos no Irã

  • Mais de 2.290 mortos no Líbano

  • 23 mortos em Israel

  • 13 militares americanos mortos 

A trégua no Líbano, que ajudou a pavimentar o caminho para a trégua mais ampla, segue frágil, com relatos de bombardeios esporádicos. O futuro da região, e da economia global, depende das negociações que se desenrolarão nos próximos dias.