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Suposto pagamento de US$ 5 milhões marca novo escândalo envolvendo Milei

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Uma denúncia envolvendo o presidente da Argentina, Javier Milei, ganhou novos desdobramentos e passou a atingir diretamente pessoas de seu círculo próximo. O caso envolve a promoção da criptomoeda $Libra e um suposto pagamento milionário ligado à divulgação do ativo digital.

As acusações vieram à tona após declarações do jornalista Alejandro Bercovich, feitas no programa La ley de la selva, exibido pela emissora C5N. Segundo ele, uma pessoa próxima ao presidente teria recebido cerca de US$ 5 milhões para viabilizar a promoção da criptomoeda.

A informação tem como base relatos do empresário Diógenes Casares, que apontou a existência de um possível pagamento feito a um aliado do presidente — e não diretamente a Milei — com o objetivo de levar o projeto até ele.

“Um importante empresário do setor, pioneiro, está assegurando que alguém do entorno de Milei cobrou 5 milhões de dólares para que o presidente fizesse essa promoção”, afirmou Bercovich.

Investigação avança e pressiona governo

Nos últimos dias, o caso ganhou força com novas evidências. A investigação judicial em andamento aponta que o esquema pode estar mais próximo do presidente do que se imaginava inicialmente.

Peritos identificaram, no celular do empresário Mauricio Novelli, um suposto acordo que previa o pagamento de US$ 5 milhões em troca do apoio de Milei à criptomoeda. Além disso, registros indicam a existência de dezenas de ligações entre Novelli e o presidente no dia em que o ativo foi lançado.

Diante das revelações, integrantes da oposição passaram a cobrar explicações formais e alertaram que o presidente poderá ter que responder tanto na Justiça quanto no Congresso argentino.

Bastidores e suspeitas de influência

De acordo com Casares, rumores sobre a criação de uma criptomoeda associada ao presidente já circulavam antes do anúncio oficial. Inicialmente, pessoas ligadas ao governo negaram a existência do projeto.

Posteriormente, surgiram informações sobre uma iniciativa chamada $Afuera, que teria como objetivo captar recursos para ações ideológicas, mas que não avançou.

A principal preocupação, segundo o empresário, surgiu ao tomar conhecimento de um suposto pagamento milionário a um aliado de Milei para garantir a promoção da $Libra.

“Me disseram que alguém próximo a Milei recebeu um suborno milionário para colocar o token diante do presidente. Isso não significa que Milei recebeu dinheiro diretamente, mas que alguém muito próximo teria aceitado esse pagamento para garantir a promoção”, explicou.

Origem do escândalo

O episódio teve início em 14 de fevereiro de 2025, quando o presidente argentino divulgou a criptomoeda em suas redes sociais, apresentando o projeto como uma iniciativa privada voltada ao fortalecimento da economia do país.

Após a promoção, o ativo registrou forte valorização inicial, seguida de uma queda acentuada, o que teria causado prejuízos a milhares de investidores.

O próprio Milei tentou minimizar os impactos, afirmando que o número de afetados seria inferior a 5 mil pessoas. A avaliação, no entanto, foi contestada por críticos e especialistas.

“O dia dos namorados foi marcado por um presidente promovendo um golpe com criptomoedas, que gerou US$ 110 milhões em ganhos para alguém do entorno de Milei”, declarou Bercovich.

Pressão e desgaste político

Com o avanço das investigações e o surgimento de novas evidências, o caso passou a representar um dos principais focos de desgaste do governo argentino.

A possibilidade de envolvimento, ainda que indireto, do presidente em um esquema que teria causado perdas financeiras relevantes aumenta a pressão política e pode gerar desdobramentos institucionais nos próximos meses.

Até o momento, não há confirmação oficial de responsabilização direta de Milei, mas o caso segue em investigação e continua mobilizando o cenário político e econômico da Argentina.