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Brasil avança em ranking global enquanto EUA deixam de ser democracia liberal

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O mais recente relatório internacional sobre a qualidade da democracia aponta um cenário de contrastes entre Brasil e Estados Unidos. Enquanto o país sul-americano apresenta sinais de recuperação institucional, os norte-americanos registram uma queda significativa — incluindo uma mudança inédita de classificação.

O levantamento é do Instituto V-Dem, ligado à Universidade de Gotemburgo, na Suécia, e analisa a evolução democrática em 179 países.

O que mudou nos Estados Unidos

Pela primeira vez em mais de 50 anos, os Estados Unidos deixaram de ser considerados uma democracia liberal e passaram a ser classificados como democracia eleitoral.

Na prática, essa mudança indica uma diferença importante:

  • Democracia eleitoral: garante a realização de eleições periódicas, com voto popular e disputa entre candidatos.
  • Democracia liberal: além das eleições, exige instituições sólidas, respeito às liberdades civis, independência entre os Poderes e mecanismos efetivos de controle do governo.

Ou seja, segundo o relatório, os EUA ainda realizam eleições, mas apresentam enfraquecimento em pilares fundamentais como equilíbrio institucional, liberdade de expressão e autonomia de órgãos de fiscalização.

Queda acelerada

Os números reforçam esse cenário. Em apenas um ano, o país caiu da 20ª para a 51ª posição no ranking global, com redução de 24% no índice de democracia liberal.

De acordo com o pesquisador Staffan Lindberg, trata-se de uma deterioração “sem precedentes” entre democracias consolidadas. O estudo aponta que o atual governo de Donald Trump tem contribuído para esse processo ao concentrar poderes no Executivo e pressionar instituições.

Entre os fatores citados estão ataques à imprensa, intimidação do Judiciário, politização de órgãos públicos e enfraquecimento dos mecanismos de controle.

Brasil aparece em trajetória oposta

Na direção contrária, o Brasil figura entre os países que avançam no fortalecimento democrático. O país ocupa atualmente a 28ª posição no ranking, superando os Estados Unidos.

Segundo o relatório, o Brasil conseguiu reverter um processo de autocratização registrado na última década. A mudança de cenário está associada à reorganização institucional após as eleições de 2022, que levaram Luiz Inácio Lula da Silva novamente ao poder.

O período anterior, especialmente durante o governo de Jair Bolsonaro, foi marcado por tensões com instituições, críticas ao sistema eleitoral e conflitos entre os Poderes.

Apesar da melhora, o estudo alerta que o país ainda enfrenta forte polarização política, o que torna o cenário de 2026 decisivo para consolidar essa recuperação.

Tendência global de alerta

O relatório também chama atenção para um movimento mais amplo: o avanço da autocratização em diferentes regiões do mundo. Cerca de um quarto dos países enfrenta algum tipo de retrocesso democrático.

Na avaliação dos pesquisadores, o fato de grandes potências econômicas estarem nesse grupo — como Estados Unidos, Itália e Reino Unido — aumenta o risco de impactos globais.

Panorama atual

Os dados mais recentes indicam:

  • 74% da população mundial vive em regimes autocráticos
  • Apenas 7% está em democracias liberais
  • O mundo soma 92 autocracias e 87 democracias

Mesmo com avanços pontuais, o estudo conclui que a democracia global atravessa um período de retração — com mudanças relevantes na forma como países são classificados e avaliados no cenário internacional.