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Norte-americanos deixam os EUA em busca de melhor qualidade de vida no exterior

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Pela primeira vez desde a Grande Depressão, mais cidadãos dos Estados Unidos optaram por deixar o país do que imigrar para ele em 2025, de acordo com análises de instituições especializadas. O fenômeno marca uma mudança histórica na dinâmica migratória de uma nação que, por décadas, foi sinônimo de destino para imigrantes de todo o mundo. Imagem ilustrativa

Pesquisadores do Brookings Institution estimam que o saldo migratório internacional dos EUA foi negativo em cerca de 150 mil pessoas no ano passado — ou seja, o número de pessoas que deixou o país excedeu o total de imigrantes que chegaram. Especialistas afirmam que essa tendência pode se intensificar ao longo de 2026.

A análise do The Wall Street Journal mostra que pelo menos 180 mil americanos se estabelecem no exterior apenas em 2025, com destinos variados que incluem países europeus, da América Latina e da Ásia, ainda que a totalidade dos que vivem fora dos EUA seja muito maior.

Entre os fatores que impulsionam essa saída estão motivos econômicos e sociais. Muitos buscaram locais com custo de vida mais baixo, acesso a sistemas de saúde mais acessíveis, melhor equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e ambientes considerados mais seguros. Além disso, a expansão do trabalho remoto permitiu que profissionais com salários pagos em dólares se mudassem para países com custo mais acessível sem perder renda.

Fluxo crescente para o exterior

Em várias nações isso já é perceptível: dados preliminares indicam que comunidades de americanos cresceram significativamente em países como Irlanda, onde quase 10 mil pessoas se mudaram em 2025 — quase o dobro da cifra registrada no ano anterior — e em Portugal, que atraiu um número expressivo de expatriados por motivos de qualidade de vida e incentivos de residência.

O movimento não se restringe a um grupo específico: jovens estudantes, profissionais em busca de educação internacional mais acessível e até aposentados que procuram condições de vida mais favoráveis estão entre os que optam pela mudança.

Mudança demográfica e debate sobre o “sonho americano”

Especialistas destacam que a emigração recorde ocorre em um momento de debate intenso sobre o futuro demográfico e econômico dos EUA, com questões internas — como custos de vida elevados, tensões sociopolíticas e desafios no sistema de saúde — influenciando a decisão de muitos a buscar novas oportunidades além das fronteiras americanas.

Embora ainda não exista um conjunto de dados oficial que capture completamente o total de cidadãos que saíram do país, as estimativas sugerem que entre 4 milhões e 9 milhões de americanos já vivem fora dos EUA, consolidando uma tendência que analistas dizem ser rara na história moderna.

Fonte: The Wall Street Journal