Internacional
ONU alerta para ofensiva global contra direitos humanos e avanço da impunidade
O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um alerta contundente ao afirmar que os direitos humanos estão sendo atacados de forma ampla e deliberada em várias partes do mundo, muitas vezes por governos e lideranças que concentram grande poder. Segundo ele, o Estado de direito vem sendo substituído pela imposição da força, com repressões ocorrendo de maneira aberta e sem constrangimento.
Guterres destacou que essa ofensiva tem efeitos devastadores sobre a população, que sofre primeiro com a violência, a opressão e a exclusão e, depois, com a indiferença internacional. Para o secretário-geral, o avanço da impunidade, o desrespeito ao direito internacional e a multiplicação de conflitos não são fruto de falta de recursos ou instituições, mas de decisões políticas conscientes.
Ele ressaltou que a crise dos direitos humanos está diretamente ligada a outras fraturas globais, como o aumento das necessidades humanitárias, a redução do financiamento internacional, o crescimento acelerado das desigualdades, o endividamento de países mais pobres e a intensificação do caos climático. Guterres também alertou para o uso da tecnologia, especialmente da inteligência artificial, como ferramenta de repressão e ampliação das desigualdades, atingindo sobretudo populações vulneráveis.
O líder da ONU apontou ainda o encolhimento do espaço cívico em escala global, com perseguição a jornalistas e ativistas, fechamento de ONGs, retrocessos nos direitos das mulheres e das crianças, discriminação contra minorias, migrantes e comunidades LGBTIQ+, além do enfraquecimento das democracias. Ao relembrar sua experiência pessoal vivendo sob uma ditadura, Guterres afirmou que a negação de direitos corrói toda a sociedade e defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU, para que ele reflita a realidade do mundo atual e seja capaz de proteger efetivamente os direitos humanos.
