Cultura
Grammy que premiou Caetano e Bethânia é marcado por críticas a Trump
A cerimônia do Grammy 2026 entrou para a história da música mundial não apenas pelas premiações, mas também pelo forte tom político que marcou a noite. Realizado neste domingo (1º) e transmitido para o mundo todo, o evento consagrou artistas como os brasileiros Caetano Veloso e Maria Bethânia e o rapper Kendrick Lamar, ao mesmo tempo em que foi palco de críticas contundentes ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e à atuação do ICE, a polícia de imigração norte-americana.
Para o Brasil, a noite teve um sabor especial. Caetano Veloso e Maria Bethânia venceram o prêmio de Melhor Álbum de Música Global com o disco Caetano e Bethânia Ao Vivo, registro da turnê conjunta realizada em 2024 e 2025, que reuniu multidões em estádios pelo país. Embora Caetano já tenha sido premiado anteriormente, a conquista marcou um feito inédito para Bethânia, que se tornou a primeira cantora brasileira a ganhar um Grammy.
Momentos após a premiação, Caetano apareceu em um vídeo descontraído publicado nas redes sociais. Deitado na cama ao lado do neto, assistindo a um desenho animado, o cantor reagiu com surpresa: “Ganhamos o Grammy? Ô meu Deus do céu!”. Em seguida, ele ligou para Bethânia e anunciou a vitória. Do outro lado da linha, a resposta foi imediata: “Mentira!”.
Discursos políticos e críticas a Trump
Além das premiações, a cerimônia ficou marcada por manifestações políticas. O apresentador da noite, o comediante Trevor Noah, fez duras críticas a Donald Trump, citando inclusive os arquivos relacionados a Jeffrey Epstein, divulgados recentemente. Em tom irônico, Noah comparou o desejo de Trump pela Groenlândia a antigas polêmicas envolvendo o ex-bilionário.
A reação do presidente norte-americano veio poucas horas depois, por meio de uma publicação na rede social Truth Social. Trump atacou o Grammy, o apresentador e negou qualquer relação com a ilha de Epstein, afirmando ainda que pretende processar Trevor Noah.
As críticas ao governo norte-americano não pararam por aí. Ao receber o prêmio de Melhor Álbum de Música Urbana, o cantor porto-riquenho Bad Bunny denunciou a perseguição a imigrantes nos Estados Unidos. Em um discurso aplaudido de pé, ele afirmou que imigrantes não são “selvagens, animais ou alienígenas”, mas seres humanos, defendendo o amor como resposta ao ódio. O artista dedicou o prêmio a latinos, imigrantes e artistas que abriram caminhos antes dele.
Já a cantora Billie Eilish, vencedora do Grammy de Melhor Canção do Ano com Wildflower, também usou o palco para criticar a atuação do ICE. Em uma fala emocionada e direta, ela afirmou que “ninguém é ilegal em terras roubadas” e destacou a importância de continuar protestando e se manifestando.
Kendrick Lamar domina a noite
No campo artístico, o grande destaque da cerimônia foi Kendrick Lamar, que se consagrou como o maior vencedor da noite. O rapper levou cinco prêmios, incluindo Melhor Álbum de Rap, Melhor Performance de Rap Melódico, Melhor Música de Rap e Gravação do Ano, reforçando sua posição como um dos nomes mais influentes da música contemporânea.
Entre conquistas históricas e discursos inflamados, o Grammy 2026 mostrou que, além de celebrar a música, o evento também se consolidou como espaço de debate político e social, refletindo as tensões e discussões que marcam o cenário global atual.
