Internacional
Empresa que doou para campanha de Trump ganha contrato para vender petróleo da Venezuela
Em audiência no Senado dos EUA, nesta quarta-feira (28), o secretário de Estado Marco Rubio detalhou o complexo esquema montado pelo governo americano para controlar a venda do petróleo venezuelano após a captura de Nicolás Maduro. O plano direciona centenas de milhões de dólares para uma conta bancária no Qatar e concede o lucrativo contrato de comercialização a uma empresa que foi grande doadora da campanha de reeleição do presidente Donald Trump.
O Destino e o Valor do Dinheiro
Todo o dinheiro da venda do petróleo venezuelano será depositado em uma conta bancária criada pelos Estados Unidos no Qatar. Até o momento, já foram vendidos cerca de US$ 500 milhões em barris desde a queda de Maduro.
Desse total:
· Apenas US$ 300 milhões retornarão à Venezuela.
· O uso desse montante será estritamente controlado por uma lista ("cartilha") definida pelo governo dos EUA, podendo ser usado apenas para itens autorizados, como pagamento de salários.
· Os US$ 200 milhões restantes permanecem na conta do Qatar, sem um destino público definido. Rubio não especificou para onde esse dinheiro seguirá.
Empresa Doadora de Trump no Centro do Negócio
A comercialização internacional do petróleo foi entregue a duas empresas de trading suíças. Uma delas é a Vitol, que fez uma doação de US$ 6 milhões para a campanha de reeleição do presidente Donald Trump. Meses após a doação, a empresa foi selecionada pelo governo americano para intermediar a venda do petróleo de um país que acabou de ter seu governo deposto.
A outra empresa contratada é a Trafigura, que recentemente fechou um acordo com a Justiça brasileira para pagar multas relacionadas à Operação Lava-Jato.
Controle Total e Pouca Transparência
Perante o Senado, Rubio afirmou que haverá auditoria apenas sobre o uso do dinheiro que voltar à Venezuela, e não sobre a totalidade arrecadada ou sobre os valores mantidos no Qatar. O mecanismo garante aos EUA um controle financeiro absoluto sobre o principal recurso venezuelano, configurando um cenário descrito como um "protetorado econômico".
A estrutura consolida a promessa feita por Trump em janeiro, de que o petróleo venezuelano, uma vez sob controle americano, "já ligamos a torneira e o petróleo tá vindo" – agora, porém, com uma rota que passa por empresas aliadas e por uma conta bancária em um país estratégico, o Qatar, que abriga uma grande base militar dos Estados Unidos.
