Internacional

“O Agente Secreto” faz história no Globo de Ouro com prêmios de Melhor Ator e Filme em Língua Não In

Postada em:

O cinema brasileiro viveu uma noite histórica na 83ª edição do Globo de Ouro. O filme “O Agente Secreto”, dirigido por Kléber Mendonça Filho, saiu consagrado da premiação ao conquistar dois troféus: Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator de Drama, com Wagner Moura. O feito consolida a produção como um dos maiores marcos recentes do audiovisual nacional.

Com a vitória, o Brasil chega à sua terceira conquista no Globo de Ouro. Antes disso, apenas “Orfeu Negro” (1960) e “Central do Brasil” (1999) haviam levado estatuetas. Já na categoria de drama, o país teve um vencedor em “O Beijo da Mulher Aranha” (1986), embora a obra fosse uma coprodução com os Estados Unidos e falada em inglês.

Mesmo antes da cerimônia, O Agente Secreto já havia entrado para a história da premiação ao se tornar o primeiro filme brasileiro indicado três vezes na mesma edição: melhor filme de drama, melhor filme em língua não inglesa e melhor ator de drama.

Ao receber o prêmio, Kléber Mendonça Filho celebrou o reconhecimento internacional e fez questão de destacar a importância das novas gerações. “Estou honrado de estar nesse grupo de grandes diretores estrangeiros. Dedico este prêmio aos jovens diretores. Este é um momento muito importante para se fazer filmes, aqui nos Estados Unidos e no Brasil. Jovens americanos, façam filmes”, afirmou o cineasta pernambucano.

Wagner Moura também escreveu seu nome na história ao se tornar o primeiro brasileiro a vencer na categoria de melhor ator de drama no Globo de Ouro. Em 2016, ele havia sido indicado por seu trabalho na série Narcos, mas acabou derrotado por Jon Hamm (Mad Men).

Em seu discurso, o ator ressaltou o caráter simbólico do filme. “É um filme sobre memória, a falta dela e um trauma geracional. Acho que, se um trauma pode ser passado por gerações, os valores também podem. Esse prêmio vai para quem está seguindo seus valores em momentos difíceis”, declarou. Em seguida, emocionou o público ao falar em português: “E para todo mundo no Brasil que está assistindo isso agora, viva o Brasil e a cultura brasileira”.

Momento do anúncio e a expectativa cos indicados:

Outros destaques da premiação

Favorito da noite, “Uma Batalha Após a Outra” foi o grande vencedor, acumulando quatro prêmios, incluindo Melhor Filme de Comédia ou Musical. Paul Thomas Anderson levou os troféus de Melhor Direção e Melhor Roteiro, enquanto Teyana Taylor venceu como melhor atriz coadjuvante.

Entre os atores, Timothée Chalamet surpreendeu ao superar nomes como Leonardo DiCaprio e George Clooney, conquistando o prêmio de Melhor Ator em Comédia ou Musical. Stellan Skarsgård foi reconhecido como melhor ator coadjuvante por Valor Sentimental.

Na televisão, a série “Adolescência” se destacou, com vitórias de Owen Cooper e Stephen Graham, além do prêmio de melhor produção limitada. Já Jean Smart foi eleita melhor atriz de comédia, enquanto Rhea Seehorn venceu como melhor atriz em série de drama.

Cerimônia e impacto no Oscar

A apresentação ficou novamente sob o comando da comediante Nikki Glaser, que retornou após uma estreia elogiada no ano anterior. Em seu monólogo, ela manteve o tom irreverente e brincou com o público de Hollywood, definindo a premiação como “a maior noite do Ozempic”.

Embora especialistas não considerem o Globo de Ouro um termômetro definitivo para o Oscar — já que os colégios eleitorais são diferentes —, a premiação costuma impulsionar campanhas. A 97ª edição do Oscar acontece em 15 de março, e a vitória de O Agente Secreto fortalece ainda mais o filme na corrida pelas estatuetas da Academia.

Para o Brasil, a noite foi mais do que uma celebração: foi a confirmação de que o cinema nacional segue dialogando com o mundo, conquistando espaço, respeito e reconhecimento internacional.