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Ex-delegado de Aracruz coordena Ciberlab que já localizou 44 foragidos por crimes praticados na Net

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Por Josimar Silva

A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) apresentou nesta quarta-feira (7), em Vitória, o Ciberlab, um laboratório de inteligência cibernética criado para fortalecer o enfrentamento a crimes cometidos no ambiente digital. Mesmo antes da apresentação oficial, a nova estrutura já demonstrou resultados expressivos: em apenas três semanas de atuação, no mês de dezembro passado, o Ciberlab auxiliou na localização e captura de 44 foragidos da Justiça.

À frente da coordenação do laboratório está o delegado Leandro Barbosa Moraes, atual gerente de Operações Técnicas da Sesp. Com ampla experiência na segurança pública capixaba, ele já atuou como delegado-chefe nas Delegacias de Aracruz e Linhares, além de ter comandado as Delegacias de Fundão e Santa Teresa, aonde também conduziu trabalhos de grande destaque.

Criado em novembro de 2025, o Ciberlab segue modelos adotados pelo Ministério da Justiça e por forças de segurança internacionais. A proposta é atuar de forma estratégica no monitoramento, coleta e análise de dados digitais, oferecendo suporte técnico e de inteligência às investigações conduzidas pelas forças policiais.

De acordo com a Sesp, o laboratório amplia a capacidade do Estado no combate a crimes cibernéticos, fraudes digitais, pornografia infantil, violência escolar, lavagem de dinheiro, atuação de facções criminosas e qualquer prática ilegal que utilize o ambiente virtual como meio ou ferramenta.

Resultados em três semanas de atuação

O primeiro trabalho do Ciberlab foi direcionado à identificação de foragidos da Justiça que utilizavam o anonimato digital para se esconder, inclusive fora do Espírito Santo. Com o uso de tecnologia de ponta e análise avançada de dados, 44 pessoas foram localizadas e presas em cerca de três semanas, durante o mês de dezembro.

As capturas ocorreram em 25 municípios, abrangendo as regiões Norte, Sul, Serrana e Noroeste do Estado, além de ações realizadas em Minas Gerais e Mato Grosso. A maioria dos presos era procurada por crimes graves, como estupro, homicídio, tráfico de drogas, violência doméstica e posse ilegal de arma de fogo.

Entre os casos de maior repercussão estão:

  • um homicida preso em Colatina, escondido em um acampamento cigano;
  • um foragido por estupro localizado em Mimoso do Sul;
  • o autor de um feminicídio ocorrido em Juína (MT), preso em São Roque do Canaã;
  • um condenado a mais de 25 anos por estupro de vulnerável, capturado em Pedro Canário;
  • e um condenado por estupro detido em Itabirinha (MG), embora o crime tenha sido cometido no Espírito Santo.

Atuação integrada e tecnologia de ponta

Durante a apresentação oficial, realizada na sede da Sesp, participaram o secretário de Segurança Pública, Leonardo Damasceno; o subsecretário de Inteligência, delegado Jordano Bruno Leite; o gerente do Disque Denúncia 181, Paulo Expedicto Amaral; e o delegado Leandro Barbosa, coordenador do Ciberlab.

Segundo Damasceno, a criação do laboratório responde à evolução do crime organizado. “O mundo do crime migrou para o ambiente digital. Precisamos de instrumentos capazes de coletar dados sensíveis, agir com rapidez e antecipar riscos”, afirmou.

O Ciberlab atua em diversas frentes, como o monitoramento da Deep Web e Dark Web, combate a fraudes digitais e crimes contra crianças e adolescentes, rastreamento financeiro do crime organizado — incluindo criptoativos —, preservação de provas digitais e uso de inteligência artificial e machine learning para análise de grandes volumes de dados. O laboratório também presta apoio técnico direto à Polícia Civil em medidas cautelares.

A estrutura funciona ainda como um canal centralizado de recebimento de informações enviadas por grandes plataformas digitais e provedores de internet, além de atuar de forma integrada com o Disque Denúncia 181, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal e forças de segurança de outros estados.

Proteção em escolas e orientação à população

Outro eixo estratégico do Ciberlab é a prevenção da violência em ambientes escolares. Em parceria com a Secretaria de Educação e o Comitê Governamental de Segurança Escolar, o laboratório monitora ameaças virtuais, casos de cyberbullying e riscos envolvendo crianças e adolescentes, buscando agir de forma preventiva.

A Sesp reforça que o Ciberlab não instaura inquéritos nem conduz investigações policiais, atribuição exclusiva da Polícia Civil. Sua função é antecipar cenários, organizar e preservar dados digitais, fortalecendo o trabalho das forças de segurança.

O delegado Leandro Barbosa Moraes destacou que o combate aos crimes virtuais também depende da participação da sociedade. Segundo ele, é fundamental que as vítimas registrem o Boletim Unificado de Ocorrência sempre que sofrerem qualquer tipo de crime no ambiente digital.

“O registro permite dimensionar corretamente esse tipo de criminalidade e direcionar melhor os esforços do Estado. Além disso, a população pode utilizar o Disque Denúncia 181 para fazer denúncias anônimas sobre crimes praticados na internet. O ambiente virtual não tem fronteiras, mas também não é terra sem lei”, afirmou.